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Aaron Swartz

Já faz quase dois meses desde a morte de Aaron Swartz, e apesar de, até então, pouco saber do que ele já havia realizado – curiosamente lembro mais do lado escritor do que o ativista/programador –, foi uma perda que me impactou muito. Li praticamente tudo o que foi publicado sobre sua morte, desde artigos pateticamente detratores (como o do The Telegraph) até os genéricos da imprensa nacional. E, recentemente, o qual talvez seja o mais honesto e preciso de todos, do dia 11 de março [hoje é dia 5] no New Yorker (link no final). É uma leitura extensa e arrepiante, com fatos e considerações novos, sobre os quais resolvi apontar alguns.

1. Na grande maioria dos textos pouco se ouvia da namorada atual de Aaron, a também ativista Taren Stinebrickner-Kauffman. Sempre achei isso estranho, mas finalmente sabe-se o porquê: Aaron odiava ser o centro das atenções, e Taren sempre fez o possível para respeitar isso. Lembro de ter lido nos comentários de algum blog uma mensagem da própria mãe de Aaron dizendo que ela [Taren] foi a única namorada que se preocupou de verdade com ele, citando a diferença de idade entre ele e a ex, Quinn Norton. Esta, que durante o processo do JSTOR colaborou totalmente com a promotoria, a pedido do seu advogado. Faz sentido agora.

2. O artigo cita “Why Am I So Upset About Aaron Swartz’s Suicide?” (que também já havia lido), que talvez explique o que eu e o autor – assim como muitos outros, presumo – sentimos com a morte de Aaron: “Tenho opiniões fortes sobre como melhorar o mundo mas nunca agi para tentar realizá-las. Tenho ideias todos os dias que eu compartilharia com o mundo mas deixo o medo me convencer a guardá-las para mim mesmo. Se eu conseguisse deixar de sentir medo do que o mundo acharia de mim, me enxergaria tomando toda e cada decisão que Aaron faz, até a que culminou em sua morte. (…) Estou triste por ter passado 27 anos da minha vida sem realizar nenhuma mudança significativa no mundo ao meu redor.

Aaron nunca quis ser elevado a um pedestal, de onde pudesse cair. Assim, chamá-lo de mártir chega a ser um insulto, pois ele provavelmente decidiu tirar a própria vida para não ser um “estorvo” para as pessoas que amava. O que nos resta é nos inspirarmos no que ele conquistou em sua intensa vida, e fazermos valer a nossa. Meu tímido recomeço vai ser voltar a escrever.

Artigos selecionados:

http://www.newyorker.com/reporting/2013/03/11/130311fa_fact_macfarquhar?currentPage=all
http://discountgeni.us/2013/01/13/why-am-i-so-upset-about-aaron-swartzs-suicide/
http://www.nakedcapitalism.com/2013/01/aaron-swartzs-politics.html

De volta

Sem lamentar a falta de posts (média impressionante, ao longo de quatro anos), acredito que finalmente consegui deixar o blog confortável. Pretendo escrever sobre a confecção do site até onde der, mas vale destacar agora um plugin aparentemente simples que viabilizou o grande um dos grandes tchans da mudança: a coluna para a tradução em inglês.

O More Fields faz exatamente o que o nome diz, adiciona campos extras, customizados, à interface de postagem do blog. Instalação e implantação sem complicações.

Skipping the lack-of-posts introduction -- a striking average of one per year --, I finally managed to made this blog comfortable, for writing and reading (hopefully). I'll write a post about the entire site's making-of , but now it worth mentioning this seemingly simple plugin that represents one of its major changes: the column for the English translation.

The More Fields plugin does exactly what its name says, letting you add customized fields to the posting interface. Installation and deployment without further complications.

Acknowledgements

Velho problema com a interface e a falta de tempo; pensando na remodelação do site e instalar API do Google Translator. Fim.

As this site has been receiving some foreign visitors lately, I must say I'm a little ashamed for it doesn't offer any support to non-Portuguese speakers at all -- even though images are the main focus of it.

In fact I haven't updated this for a while now, mainly because of a lack of time and better CMS. I still don't know if I will stick to my stubbornness and struggle to implement a Google Translator API or simply go with a smarter choice, like installing Wordpress or Drupal.

Either way, thou shall not pass unnoticed from now on.

Update: While I finally decided to install WordPress, unfortunately the Google Translate API became a paid service. I'll try to keep posting in English when relevant.

Belle and Sebastian @ Via Funchal

Demorou 10 anos para que a banda voltasse ao Brasil, e certamente sua fanbase aumentou muito desde então, em meio a crises, a consequente saída da Isobel e mudança de direção no som — mais “alegre”, dir-se-ia. Nem me arrisco tanto ao dizer que tal mudança deixou a banda mais acessível ao público que não tem o costume de usar pulôveres e cachecois no verão: os indies que me perdoem, mas Belle and Sebastian é mainstream faz tempo e, a princípio, não há nada de ruim nisso. Afinal, os três últimos discos tem sido bem recebidos tanto pela l33t p4kiana como pela crítica de massa em geral.

No show da quarta-feira, tal ambivalência pôde ser notada no setlist que, eximidas de questões pessoais (e.g. aquela música do disco x é bem melhor, etc), distribuiu bem as músicas das diversas fases da banda. Colocando em extremos, a plateia pulou com fervor (adjetivo inusitado) tanto em Write About Love quanto em The Boy With the Arab Strap, e com um rápido olhar era possível até diferenciar os fãs recentes dos mais antigos.

O aspecto comum nas escolhas, de fato, foi na preferência pelas músicas mais animadas, mais “de dançar”, o que é até compreensível. A impressão é de que tem havido uma tentativa, inconsciente ou não, de reverter o semblante blasé que sempre permeou a banda — injustificadamente, diga-se de passagem. Não bastasse isso, a [des]acústica do Via Funchal e os gritos histéricos tornavam impossível apreciar os poucos momentos em que as sutilezas de canções como Lord Anthony e The Fox in the Snow (o ponto alto do show, na opinião deste) pudessem ser devidamente apreciadas. Nas demais, o que saía dos alto-falantes era uma massa quase indistinta de sons, uma gororoba musical, ainda que de caviar.

Sobre a performance, não há muito o que dizer. São todos excelentes músicos — o trio de cordas, mais uma vítima da acústica, infelizmente virou mero ornamento de palco –, Stuart e Stevie são simpaticíssimos e proporcionaram bons momentos à plateia, que provavelmente voltou para casa satisfeita. A nota zero vai pro Funchal que, sinceramente, não sei como ainda consegue se levar a sério. Pelo menos sempre haverá o If You’re Feeling Sinister: Live At The Barbican para ouvir com as imagens e o sentimento do show.

Just a Fest @ Chácara do Jockey

Estou bem atrasado, mas resolvi escrever um pouco sobre o show do Radiohead. Em geral não acompanho muito a repercussão dos shows nos quais vou, mas pelo que li e ouvi até agora, não soube de ninguém que não tenha gostado. Infraestrutura à parte (local pouco acessível, alimentação, a infame hora da saída), creio que não houve por que não sair ao menos satisfeito com o festival.

Já tinha visto dois shows do Los Hermanos, e pelo que pude ver dessa vez, não houve novidades além da Cher Antoine. A ressalva que tenho em relação à eles é que ou o som geralmente não está muito bem equalizado, ou eles não tocam muito bem ao vivo. O fato é que foi um show emocionante para os fã-náticos e decente para as demais pessoas — salvo os haters, que não eram poucos.

A apresentação do Kraftwerk me impressionou bastante, já que nunca tinha dado muita bola para eles. A música funciona em perfeita harmonia com as projeções, que ilustravam as épocas de cada música. Aliás, foi nelas em que notei a força que os símbolos (“radioativo”, Trans Europe Express, Autobahn) exerciam, projetados em uma escala tão grandiosa. Na hora não pude deixar de lembrar da suástica e o nazismo, afinal esse deve ter sido o branding mais eficaz da história (piada né). De qualquer jeito, foi uma experiência incrível e fico feliz por usaram o estratagema para o bem da música.

Pontualmente (e como não seria?) às 21:30 o Radiohead entrou. Como tantos outros, eu havia esperado quase toda uma vida por aquele momento, e só acreditei que ele estava de fato a acontecer quando ouvi as primeira batidas de 15 Step. O Ed até tentou puxar as palmas, mas acho que o pessoal não conseguiu seguir o 10/8. Uma pena. [Por falar nas palmas, não tenho como não comentar da vergonha que foi ouvir algumas pessoas batendo palma no começo de Exit Music. Na hora do show, até fiquei em dúvida, mas quando vi a gravação no Multishow tive quase certeza de que o Thom atrasou o ritmo de propósito. Bom, coincidência ou não, acho que eles se tocaram] A sequência inicial de músicas foi bem empolgante, o que foi bom para pular bastante e diminuir um pouco a dor na lombar, de ter ficado tanto tempo de pé (sim, sou idoso). Arrisco a dizer que o In Rainbows é o melhor disco deles para ser tocado ao vivo. Até faz sentido porque é um álbum bem “cru”, segundo os próprios.

O resto do setlist seguiu sem surpresas em relação aos shows no México, a não ser pelo trechinho de True Love Waits que o Thom cantou na preparação de Everything In Its Right Place. Estava doido para ouvir Pyramid Song e There There, os quais foram alguns dos pontos mais altos do show. A única decepção, se posso usar essa palavra, foi deles não terem tocado How to Disappear Completely, quem sabe da próxima?

Como esperado, as músicas mais conhecidas, como Karma Police e Fake Plastic Trees, ficaram praticamente inaudíveis por conta da descortesia da platéia em ficar berrando as músicas. De qualquer jeito, eu não estava com tanta vontade de ouvir essas, mas devo confessar que achei Creep fantástica, mais pelo jogo de luzes do que pela música em si. Um ótimo, melhor do que Fantástico (pegou?), jeito de fechar uma noite de domingo.

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* pelo facial pode variar
facial hair may vary

Das três áreas às quais me permito dizer estar minimamente apto a exercer, o Design veio "por último", depois das Artes – minha graduação – e da programação – meu primeiro estágio. Portanto, seria tentador tratar disso como um desfecho, o Design representando a união perfeita entre esses campos de pensamento aparentemente antagônicos: o criativo, imprevisivel, representado pela Arte, e o estrutural, cerebral, associados à programação e ciências exatas em geral.

Entretanto, a retalhação do conhecimento sempre me incomodou. De certo modo, o Design parece, sim, melhor se adaptar à dinâmica contemporânea, contemplando a crescente demanda de novos meios de expressão/comunicação, especialmente os digitais. E enquanto a Arte trilha, desde o pós-guerra, um tortuoso – embora mais rentável do que nunca – caminho ao esvaziamento total de sua essência, os programadores deixaram de ser figurantes para virarem protagonistas da era digital (e.g. Google, Facebook), escancarando também, no entanto, as portas da inovação para a especulação financeira.

O Design, por sua vez, vem ganhando cada vez mais atenção, não apenas como um campo de atuação, mas como "novo" método, quase místico, de gerenciamento – é só ver o frisson em torno do design thinking e outros termos da moda –, quando na verdade não há nada de mágico ali. Assim como o artista e o programador, o designer é um artesão, pois viabiliza uma ideia, um conceito, de modo que nossos sentidos possam percebê-lo e apreciá-lo devidamente. E dentro desse processo, a criatividade, planejamento, estrutura e projeto estão naturalmente presentes, indissociáveis. A única variável pertinente, já entrando em uma visão mais pessoal, é o mercado. Viabilizar a manutenção da criatividade – bem como a minha própria, naturalmente – em seu estado mais puro possível é o que me faz escolher o Design como ofício.


Of the three fields I consider myself minimally apt to exercise, Design could be the "latter", after Visual Arts - my Major - and programming - my first internship. Therefore, it would be tempting to think of it as an mere outcome: Design representing the perfect bond between these seemingly opposing areas of thought: the creative, unpredictable, represented by Art, and structural, logical, usually associated with programming and sciences in general.

However, retaliation of knowledge has always bothered me. In a way, Design seems to adapt better to the contemporary needs, contemplating the growing demand for new mediums of expression / communication, especially digital. And while Art has been trailing, since the post-war, a tortuous - though more profitable than ever - path to the complete deplection of its essence, developers left the backstage to become protagonists of the digital age (eg Google, Facebook), though straddling, also, the gates of innovation to financial speculation.

Design, on its own way, has been gaining increasing attention, not only as a field of work, but as a "new" management strategy - see the buzz around "design thinking" and other terms in vogue - when, in fact, there is nothing magical in it. Just as the artist and the programmer, the designer is a craftsman, concretizing an idea, a concept, so that our senses can perceive it and enjoy it properly. And within that process, creativity, planning, design and structuring are inherent and inseparable. The only relevant variable, now on a more personal view, is the market. To keep creativity's survival - as well as my own, of course - on its purest is what makes me choose Design as a profession.